Estudo Bíblico:
Yeshua Hamashiach ressuscitou no domingo?
Tema: Analisando a morte e ressurreição de Yeshua através das Escrituras
Introdução
Se aceitássemos a hipótese de que Yeshua morreu na sexta-feira, conforme é frequentemente ensinado por vários evangélicos, a sua ressurreição teria que acontecer na segunda-feira à tarde para que se completassem os três dias e as três noites que ele mesmo previu em Mateus 12:39-41.
Entre um número significativo de cristãos, existe uma forte convicção de que Yeshua faleceu na chamada "Sexta-feira Santa" e ressuscitou no domingo, conhecido como "Domingo de Páscoa". Porém, essa visão pode ser considerada mais uma tradição do que um fato histórico incontestável.
Para ter uma compreensão mais clara desse tópico, é crucial examinar detalhadamente os textos bíblicos e também levar em conta as práticas e os costumes dos judeus daquela época. Isso nos auxiliará a chegar a um entendimento mais preciso sobre o assunto. Uma questão central é perceber como os judeus desse tempo contavam os dias. Em Gênesis 1:5-9,13,19,23,31, podemos notar que a narração da criação apresenta um ciclo de "tarde e manhã" para cada dia, o que indica que, segundo a Bíblia, os dias eram divididos em 12 horas de luz e 12 horas de escuridão, um padrão que continua até hoje. Vamos entender abaixo cronograma de acontecimentos durante aquela semana:
Dia 10 - Evento - Yeshua ensinava na sinagoga. Lucas 10:13
Dia 13 - Evento: E ao terceiro dia Ele encerrou seu ministério. Lucas 13:31-34
Dia 14 - Evento: A noite Ele foi preso e julgado, Seu julgamento se estendeu a noite toda até às 09 horas do dia. João 19:14; Deuteronômio 16:1; João 13:30-1 18:3, 12, 13, 28-30
Dia 15 - Evento: Começava a festa dos pães asmos (o primeiro e o último dia eram sábados cerimoniais). Levítico 23:6-9
Dia 17 - Evento: Após 3 dias e 3 noites Yeshua ressuscita dentre os mortos. I Coríntios 15:3-4
Dia 17 - Evento: Ao pôr do sol (iniciando o domingo) Yeshua já não estava mais no sepulcro. Mateus 28:1-7
Dia 21 - Evento: Fim da semana dos pães asmos.
Como os Judeus Calculavam os Dias?
Os judeus consideravam os dias a partir do cair da noite, e essa abordagem é mantida até os dias atuais. A Bíblia aborda essa ideia em trechos como Gênesis 1:5-9, Neemias 13:19 e Levítico 23:32. Hoje, em virtude da influência romana, temos um método distinto de calcular o dia: iniciamos a contagem de 24 horas à meia-noite, dividindo esse intervalo em 6 horas noturnas, seguidas de 12 horas diurnas e, novamente, 6 horas noturnas, completando um ciclo de 24 horas.
Agora, pense sobre isso, prezado leitor: essa divisão é racional? Em contrapartida, a Bíblia indica que um dia é formado por 12 horas de noite e 12 horas de dia, criando assim um ciclo íntegro. Cada dia é separado dos demais, e o sol serve como indicador que sinaliza o começo de um novo dia, conforme mencionado em Deuteronômio 16:6. Com o pôr do sol, um novo dia se inicia, começando por 12 horas de escuridão e finalizando com 12 horas de luz.
Na Bíblia, existem várias passagens que mencionam o período que Yeshua permaneceria no túmulo. Em todos esses textos, é referida a expressão "três dias e três noites", mas, na realidade, deveria ser "três noites e três dias". O erro na tradução se deve à tradição que se desenvolveu ao longo do tempo. Quando os judeus solicitaram um sinal para validar que Yeshua era o Messias, Ele respondeu: "Uma geração perversa e infiel busca um sinal, mas sinal nenhum será dado, exceto o de Jonas. Da mesma forma que Jonas ficou três dias e três noites no interior do grande peixe, o Filho do Homem permanecerá três dias e três noites no seio da terra" (Mateus 12:39-41).
A Bíblia é um texto inteiramente inspirado por D-us, e tudo que nela se encontra resulta dessa inspiração divina. D-us não comete erros, e as palavras que Ele revelou são nítidas e precisas. Há diversas outras passagens que sustentam a ideia de que Yeshua ficaria no túmulo por três noites e três dias. Essas referências incluem Mateus 16:4, 21; 17:23; 20:19; 26:61; 27:40, 63, 64; Marcos 8:31; 10:34; 14:58; 15:29; Lucas 9:22; 18:33; 24:7, 46; João 2:19-21; Atos 10:40 e 1 Coríntios 15:4.
Yeshua, o Cordeiro da Páscoa
No 14º dia do primeiro mês, conhecido como Abib ou Nisan no calendário judaico, a Páscoa era comemorada à tarde, conforme mandava a lei, como descrito em Êxodo 13:4, Deuteronômio 16:1 e Números 9:3-6. Essa festividade era um decreto eterno para a nação de Israel (Êxodo 12:6-14, Levítico 23:5). Em todas essas referências, é enfatizado que a festividade iniciava ao crepúsculo, ao final do dia (Números 9:3-6).
Na noite anterior à Sua crucificação, Yeshua estava ensinando em uma sinagoga, como fazia habitualmente. Durante sua pregação, recebeu a notícia de que Herodes desejava tirá-lo a vida. Em Lucas 13:10, é relatado: "Dizer a Herodes, essa raposa, que estou expulsando demônios e curando hoje e amanhã, e no terceiro dia concluirei meu ministério. Eu irei a Jerusalém, onde serei julgado e perecerei" (Lucas 13:31-33). Realmente, Ele finalizou Seu ministério no terceiro dia da semana, sendo preso na quarta-feira à noite, depois de compartilhar a refeição com seus seguidores.
Para compreender a sequência dos eventos, é crucial lembrar que o dia judaico inicia ao pôr do sol. Primeiramente, a divisão do dia era composta por 12 horas de noite e 12 horas de luz.
Yeshua foi detido na noite de quarta-feira (João 13:30; 18:3,12,13). João 18:3 menciona que os guardas levaram lanternas e tochas, o que sugere ser um período noturno. Conforme discutido antes, as celebrações começavam ao anoitecer. O julgamento de Yeshua se estendeu toda a noite de quarta-feira, até o meio-dia do mesmo dia (João 18:28-31; 19:13-14). Às 9 horas da manhã de quarta-feira, Yeshua foi crucificado (Marcos 15:25). A crucificação continuou até ao meio-dia (Marcos 15:25-33). Por três horas, de meio-dia até às 15 horas, houve escuridão sobre a terra (Marcos 15:33). Yeshua faleceu exatamente às 15 horas (3 da tarde) de quarta-feira (Mateus 27:45-50; Marcos 15:33-37) e foi sepultado ao final do dia (Mateus 27:57-61; Marcos 15:42), próximo ao pôr do sol.
Marcos indica que este acontecimento ocorreu na véspera do Sábado. O "Sábado" mencionado se referia ao 15º dia de Abib ou Nisan, que era um Sábado cerimonial, pois marcava o início da grande celebração dos pães asmos. Tanto o primeiro quanto o último dia da festividade eram considerados sábados cerimoniais (João 19:31). Naquela semana, esse Sábado cerimonial caiu em uma quinta-feira.
Conforme a profecia de Yeshua, Ele precisaria permanecer três noites e três dias no túmulo, conforme consta em Mateus 12:38-41 e em outras passagens já citadas. Seguindo a tradição judaica e os ensinamentos bíblicos, o dia começa ao pôr do sol, implicando que sempre há uma noite antes de um dia (Gênesis 1:5-9,13,19,23,31).
Portanto, Yeshua esteve no túmulo durante a noite de quinta-feira, o dia de quinta-feira, a noite de sexta-feira, o dia de sexta-feira, a noite de sábado e o dia de sábado, totalizando as três noites e os três dias (ou 72 horas), que se completaram ao pôr do sol do sábado (Mateus 28:1).
Os judeus utilizavam um calendário baseado na lua, e conforme as normas da lei mosaica (Êxodo 12:6-16; Levítico 23:5-7; Deuteronômio 16:6), a festa da Páscoa tinha lugar no 14º dia do mês de Abib ou Nisan, ao anoitecer. O dia seguinte coincidia com a lua cheia, uma vez que o calendário hebraico começava com a fase da lua nova. O mês de Abib representava o início do ano hebraico e sinalizava a chegada da primavera. O dia 15 de Abib era designado como um Sábado cerimonial, exigindo descanso.
Na Bíblia, Yeshua é referido como o “Cordeiro de D-us” e, tal como o cordeiro da Páscoa, Ele deveria falecer em nosso lugar como um sacrifício para a celebração da Páscoa. Ele representa a nossa Páscoa, conforme mencionado por Paulo em 1 Coríntios 5:7.
O Dia da Ressurreição de Yeshua
De acordo com Mateus 28:1, ao chegarem ao túmulo, as mulheres encontraram o sábado quase no seu final, isto é, próximo ao anoitecer. Esse instante representava o fim dos três dias e três noites que Yeshua deveria passar no sepulcro, como previsto por Ele mesmo em Mateus 12:39-41. Algumas versões bíblicas afirmam que este evento se deu no início do primeiro dia da semana, enquanto outras indicam que ainda era de madrugada.
Em Mateus 27:57-61, observamos que Yeshua foi enterrado ao final da tarde, durante o pôr do sol. É importante lembrar que todas as festividades judaicas começavam com o anoitecer, conforme mencionado em Deuteronômio 15:6 e Levítico 23:5-7. Com base na profecia de Yeshua em Mateus 12:39-41, sabemos que Ele deveria ficar no sepulcro por 72 horas, e dado que sua sepultura ocorreu ao entardecer, sua ressurreição também deveria se dar no fim da tarde.
Se as mulheres realmente foram ao túmulo no domingo, como algumas versões indicam, isso não confirma automaticamente a ressurreição de Yeshua nesse dia. O que realmente tem relevância, na verdade, não é a hora da sua chegada ao sepulcro, mas sim o que encontraram: Ele já havia ressuscitado. O túmulo estava vazio. Em Mateus 28:6 e Marcos 16:6, as mulheres são chamadas a observar onde Yeshua esteve, mas Ele já não estava mais ali. Isso foi a realização da profecia de Yeshua em Mateus 12:38-41. O autor de Mateus efetivamente relata a aparição de Yeshua, em vez de detalhar o momento exato de sua ressurreição. O ponto mais relevante era que Ele deveria se mostrar a seus seguidores, atestando que estava vivo.
Daniel 9:24-28
É essencial compreender a profecia das 70 semanas apresentada em Daniel, a qual foi destinada a Israel como um tempo de reconciliação com D-us. Essa profecia indica que cada dia simbolizava um ano, totalizando 490 anos. Esse tempo foi concedido ao povo para que refletisse sobre os fatos e buscasse a reconciliação com D-us. A profecia de Daniel menciona que, na metade da última semana (equivalente a três anos e meio), os sacrifícios seriam interrompidos. Acreditamos que essa profecia se cumpre de maneira dupla — tanto literal quanto profética — com a morte de Hamashiach. Quando Yeshua morreu, o véu do templo se rasgou de alto a baixo, anulando o sistema de sacrifícios com cordeiros, pois Yeshua, o Cordeiro de D-us, ofereceu-se uma única vez para a remissão dos pecados. O texto profético de Daniel confirma que os sacrifícios cessariam na metade da semana, e isso realmente aconteceu com a morte de Hamashiach.
Yeshua Não Faleceu na Sexta-Feira
Nos versículos de João 19:31 e Marcos 15:42-47, observamos que, lamentavelmente, a maioria dos cristãos acredita que Yeshua faleceu na sexta-feira (Sexta-feira da Paixão) e ressuscitou no domingo (Domingo de Páscoa). Entretanto, essa visão é uma tradição incorreta, frequentemente advinda de um entendimento superficial das Escrituras.
Caso Yeshua realmente tivesse morrido na sexta-feira, Ele teria ido contra o que afirmou sobre o período que permaneceria no túmulo. Em Lucas 13:31-34, Ele afirmou que, após Sua morte, estaria três dias e três noites no túmulo. Se seguisse a tradição de morrer na sexta, Sua ressurreição precisaria ocorrer na tarde de segunda-feira, após completar setenta e duas horas no sepulcro, algo que não condiz com a narrativa bíblica.
Considerando que Yeshua foi enterrado no final da tarde (ao pôr do sol), conforme descrito em Mateus 27:57-61, e que deveria estar no sepulcro por três noites e três dias (Mateus 12:39-41), a única maneira de cumprir essa profecia seria se Ele ressuscitasse ao entardecer, no final do sábado. Isso é crucial porque, se Ele tivesse falecido na sexta-feira, a ressurreição só teria acontecido na tarde de segunda-feira, o que não é sustentado pelas Escrituras.
Apesar disso, o grande desafio é que muitas pessoas não se dedicam a entender profundamente as Escrituras. A Bíblia nos alerta sobre isso: "Errais, não conhecendo as Escrituras nem o poder de D-us" (Mateus 22:29). Como também é dito em Oséias 4:6, "meu povo perece por falta de conhecimento". Para interpretar corretamente João 19:31 e Marcos 15:42-47, é essencial compreender o que significa "Sábado".
Na cultura judaica, qualquer feriado era considerado um "Sábado", pois envolvia a interrupção das atividades laborais. Por exemplo, se o Dia da Independência acontecesse em Israel, seria um "Sábado". No tempo de Yeshua, festividades religiosas ou cerimoniais eram ainda mais significativas, e muitos desses feriados eram tidos como sábados.
Yeshua faleceu durante o dia da Páscoa judaica, e no dia seguinte se iniciava a festa dos pães asmos (Levítico 23:5-8), que durava por sete dias. O primeiro e o último dias dessa celebração eram considerados "Sábados cerimoniais", ou seja, feriados religiosos, nos quais o povo de Israel não realizava atividades de trabalho. Esse "Sábado cerimonial" não era o Sábado semanal, que ocorre sempre no sétimo dia da semana.
Na semana em que Yeshua faleceu, ocorreram dois "Sábados". O primeiro foi o "Sábado cerimonial", que naquele ano caiu numa quinta-feira. O segundo foi o Sábado semanal, o sétimo dia da semana, que era um dia de descanso, conforme o quarto mandamento contido na Lei de D-us.
Para esclarecer a linha do tempo, é necessário examinar cuidadosamente os textos de Marcos 16:1 e Lucas 23:56. De acordo com Marcos 16:1, “depois do sábado”, Maria Madalena e Maria, mãe de Tiago, foram adquirir fragrâncias para ungir Yeshua. Como o “Sábado cerimonial” ocorreu numa quinta-feira, elas fizeram suas compras na sexta-feira. Porém, pela falta de tempo, não conseguiram ungir Yeshua naquele mesmo dia. Quando o “Sábado semanal” chegou (o sétimo dia), elas descansaram conforme a ordem, e somente ao término do Sábado, ou seja, no fim da noite de sábado, se dirigiram ao sepulcro (Lucas 23:56; Mateus 28:1), encontrando o túmulo vazio.
Resumindo: Durante aquela semana, aconteceram dois “Sábados”: o primeiro, que era cerimonial, ocorreu numa quinta-feira, e o segundo foi o Sábado semanal, o sétimo dia da semana, reconhecido como o dia da ressurreição (Mateus 28:1). Para evitar confusões ou interpretações erradas, é crucial estudar a Bíblia de maneira atenta, comparando os textos e nunca analisando um versículo isoladamente para forçar uma interpretação que se adeque às nossas opiniões. A Bíblia é um texto inspirado por D-us e, como tal, não apresenta contradições. Muitas vezes, somos nós que nos embaraçamos ao tentar compreender as Escrituras. Se Yeshua afirmou que passaria três noites e três dias no sepulcro, por que não aceitar essa exatidão dos textos? É muito mais fácil e fiel à palavra de D-us aceitar o que está escrito do que tentar reinterpretar de uma forma que contradiga seu significado claro.
Yeshua Ressuscitou ao Final do Sábado
Marcos 16:9 O texto correto diz: E Yeshua, após ressuscitar, na manhã do primeiro dia da semana, apareceu inicialmente a Maria Madalena... O que o texto expressa não é que ele ressuscitou no primeiro dia da semana, mas que ele apareceu a Maria Madalena nesse dia. A ênfase é sobre o aparecimento, não sobre a ressurreição. Infelizmente, os tradutores, ao inserir a pontuação, já com uma visão pré-definida, colocaram a vírgula de maneira inadequada. * A vírgula deveria estar em ressuscitado, e não em semana. De fato, a pontuação como foi feita sugere que ele ressuscitou no primeiro dia da semana. Sabemos que, no grego da época, não havia pontuação e que os tradutores, ao fazer a tradução para o português, cometeram um erro na pontuação, possivelmente de forma desonesta. Se essa pontuação estiver correta, então teremos que questionar outras passagens da Bíblia. Continuo acreditando que não pode haver contradições na Bíblia. Outro ponto a considerar é que o texto de Marcos 16:9-16 não pode ser usado para sustentar uma tese, pois é uma passagem questionável; muitos teólogos renomados afirmam que esse texto não está presente nos manuscritos originais.
CONCLUINDO
Se analisarmos com atenção Mateus 28:1 e retrocedermos três noites e três dias, chegamos exatamente à metade da semana, quarta-feira, como o dia da morte de nosso Senhor Yeshua Hamashiach. Daniel 9:27 Lucas 13:31-34.
Não faz sentido tentarmos validar a ressurreição de Yeshua em um domingo, apenas para ignorar o Sábado. Mesmo que tenha ressuscitado em um domingo, isso não justifica a mudança do dia de descanso. Essa alteração não foi efetuada por Yeshua ou seus discípulos. Mateus 5:17-20.
Apoiando a argumentação anterior, podemos recorrer a cálculos astronômicos exatos. Segundo informações do observatório naval dos Estados Unidos, datadas de 23-11-1920, a primeira lua cheia após o equinócio da primavera no hemisfério norte, no ano da crucificação de Hamashiach (31 d.C.), ocorreu no dia 27 de março de nosso calendário, que coincidia exatamente com a noite do dia 13 para 14 de Abib, ou seja, de terça-feira para quarta-feira.
Para concluir, podemos afirmar, com base nas Escrituras, que Hamashiach morreu por volta das 15 horas e foi sepultado quase ao pôr do sol de quarta-feira, ressuscitando ao pôr do sol de Sábado, tendo completado o período de três noites e três dias ou 72 horas que ele havia previsto que estaria no sepulcro. Mateus 12:40.
Por: Ir.: Maycon H. Sichelschimidt